Ciência do Ser

Ter contato com o nosso universo interior pressu- põe um aprofundamento na nossa forma de pensar, na nossa forma de atuar, de sentir, de viver. Por isso, a Comunicação Transpessoal já nasceu equipada de fundamento “espiritual”, porque inves- tiga aquilo que tem sido relegado ao plano do invisível e, por isso mesmo, de difícil acesso para a ciência. No entanto, foi a partir do desenvolvimento da Psicologia Transpessoal que a Comunicação pode expandir seus critérios científicos para a mente humana.
Na Comunicação Transpessoal não nos preocupamos mais em qualificar ou identificar os processos que envolvem a comunicação entre um ser e outro, entre máquinas ou até mesmo entre seres humanos e máquinas, mas nos atemos exclusivamente na Comunicação que estabelecemos internamente. Essa comunicação silenciosa, mas incessante, que a nossa mente executa ininterruptamente com os muitos seres que habitam o interior do nosso plano mental.
É importante salientar que, ao contrário da Psicologia, a Comunicação Transpessoal não está interessada em associar as diferentes respostas do ser ao plano das patologias. Apenas identificamos que aquilo que o ser comunica a si mesmo são formas de contato, que ele é obrigado a desenvolver, e que tem origem na sua necessidade de ordenar o mundo elaborando respostas para as suas experiências ao longo dos anos. Essas respostas, ou seja, o corpo de atitudes, pensamentos e diálogos internos, vão formar finalmente um sistema coeso e coerente que chamamos de ego.
Portanto, ao se investigar a Comunicação Interna do Ser com ele mesmo, estamos na verdade investigando dois tipos de comunicação – a do ego e a do eu – e as diferenciações entre cada uma delas. Nesse sentido, um trabalho que inclui a consciência no próprio corpo da investigação, precisa levar em conta a consciência do investigador no processo. Por isso, usou-se como instrumental de trabalho e de pesquisa, alguns elementos emprestados da Física Quântica -basicamente o conceito de processo e energia – e também alguns sistemas elaborados pelos filósofos orientais – e que nos remeteram para aquilo que chamamos de experiência mística. E, finalmente, nos voltamos novamente para o Ocidente, fazendo a ponte necessária entre o pensamento oriental e o pensamento ocidental, através dos mais importantes pensadores do Ocidente – buscando compreender o ser.
Tendo sido compreendido no Ocidente como algo menor, algo que não dava conta da realidade objetiva estudada pela ciência e da realidade subjetiva estudada pela filosofia, a experiência mística ficou sempre relegada aos limites inapropriados da fé religiosa. No entanto, como o próprio nome diz, a experiência mística não supõe a fé, já que a fé, na verdade, nasce da incerteza, nasce da necessidade de atribuir ao outro, ou a alguma entidade, a salvação da alma e/ou a cura dos males. Enquanto que a experiência mística só existe como descoberta do ser em direção a si mesmo, ou seja, quando a fé se transforma   em   confiança   (pistis)   e  que  Jung com-

preende tão bem em seu comentário psicológico na Introdução do “Livro Tibetano da Grande Libertação”. Nesse sentido, esse movimento pode ser chamado de religioso, mas está para além das igrejas e dos dogmas. Devendo ser vivido e experimentado por todos aqueles que, em busca da verdade, procuram na ciência, na religião, na arte, e em si mesmos, respostas satisfatórias para a sua existência no mundo.
Por isso, qualquer investigação sobre o ser propõe uma reflexão fundamental sobre a existência e que pode ser expressa na pergunta – “Quem sou eu?”. A identificação de um ego social e um desdobramento desse ego em partes, pressupõe uma comunicação entre essas partes. Portanto, a comunicação que estabeleço com os múltiplos “seres” que habitam o espaço psíquico que ocupo parece fundamental para que haja uma compreensão mais aproximada desse ser que investiga a si mesmo através desta pergunta inicial.
Por isso, ao investigar o ser é necessário investigar a comunicação dos múltiplos seres que parecem habitar este alguém indivisível e único que chamamos de eu. Portanto, ao que parece, é na comunicação interna que podemos ter um vislumbre do nosso eu. É na exclusão, talvez, daquilo que não é o ego, que podemos chegar a esse ser que chamamos de eu. Uma forma de romper com esse diálogo interno que nos oblitera e nos reduz a meros atores, é a introdução da meditação em nossas vidas. É uma das formas que temos disponíveis para fazer com que nossa mente opere de modo diferente daquela que estamos acostumados.
Hoje inauguramos uma nova ciência, que tem alargado seus paradigmas para a investigação de processos invisíveis. Essa investigação, exatamente por ter ainda um caráter subjetivo, é reforçada por outras instâncias que até os dias de hoje permanecem alijadas de alguns grupos científicos mais tradicionais. Quando falamos em espiritualidade, lembramos que somos todos seres espirituais. Por isso as teorias que excluem a possibilidade de estudar o ser em sua plenitude estão fadadas ao desaparecimento. A ciência não pode mais relegar ao plano das igrejas o autoconhecimento. Na verdade, quando um cientista se entrega a uma investigação, o seu modo de olhar, suas experiências anteriores, sua visão de mundo, suas crenças podem interferir diretamente nos resultados da pesquisa. Por isso, a física quântica tem introduzido a consciência do investigador como um dos elementos do processo de investigação. E é por isso que esta nova ciência tem se alargado na construção mesmo de uma Ciência do Ser.
Além da Física Quântica, a Psicologia, a Comunicação e algumas outras ciências têm trabalho com a imaginação no campo das realidades. É necessário que a Ciência do Ser se amplie na direção de uma investigação que leve em conta processos até hoje desconhecidos. É importante entender que aquilo que não é natural não precisa ser necessariamente sobrenatural, e é por isso que ao se alargar os paradigmas desta nova ciência alargam-se também os campos de investigação, inclusive para processos até hoje inexplicáveis. Essa é uma empreitada que estamos inaugurando agora e que, certamente, estará no viés do desenvolvimento da humanidade por todo este novo milênio.
Eliane Ganem

Os Espiritualistas e as Religiões


Para os astrólogos, a partir da última década do século XX entramos na Era de Aquário e abandonamos a Era de Peixes. Esta última foi marcada pela filosofia cristã do sacrifício. A figura do deus morto na cruz influenciou o espírito de muita gente já que, de todas as religiões que passaram pela face da Terra, era a única que idolatrava um deus sem vida, humilhado e crucificado.

Em nome desse deus morto muitos crimes foram cometidos. Na Idade Média, chamada Idade das Trevas, a Santa Inquisição, que era uma espécie de Agência Central de Inteligência (CIA) da época, controlada pela Igreja Católica, mandou pra fogueira e pra forca muita gente inocente.

Só mais recentemente a Igreja Católica se voltou para os menos favorecidos com sua Teologia da Libertação. Assistimos então a uma renovação política dentro dessa mesma igreja, em figuras de padres e sacerdotes que se voltaram para as origens do cristianismo, na intenção de dar assistência maior aos pobres.

No Brasil, assistimos hoje a uma renovação das ideias de Lutero. Igrejas cristãs, com o mais variado número de denominações distintas, espocam aqui e acolá trazendo mais uma vez para o nosso convívio ideias conservadoras, baseadas na conversão – e muitas vezes no fanatismo – operando de forma impositora e excludente, aos moldes daquilo que a Igreja Católica fazia nos seus “melhores” dias. No entanto, como o Brasil é grande, generosamente acolhe uma diversidade religiosa ímpar. Temos a mistura de algumas religiões africanas com a religião cristã, temos o espiritismo de Kardeck, temos o espiritismo associado à umbanda, temos a umbanda e o candomblé. Temos a wicca, temos o budismo, temos o zen budismo, etc.

Basta relembrar que vieram pra cá, na época dos escravos, muitos negros de linhagem que procuraram manter sua tradição apesar da perseguição católica. O candomblé da Bahia ainda conserva intacta boa parte do ritual africano. Já modificada é a umbanda que, para sobreviver, soube incluir, entre suas figuras de pretos velhos, caboclos e orixás, os correspondentes santos católicos. Cristo continua sendo o mestre principal tanto dos cristãos quanto das vertentes africanas. Apenas não se fala do imaginário indígena, hoje convertido também, aculturado e desmoralizado. O que é uma pena, já que todas as nossas religiões foram importadas. Enquanto a religião indígena seria a única que poderíamos chamar de nossa.

Neste século, portanto, temos esse glossário de religiões, que formam o panorama no Brasil. Mas no resto do mundo, e em alguns redutos mais intelectualizados do nosso país, o verdadeiro movimento que emerge com a pujança que a nova era do século anterior anunciava, é o movimento espiritualista que independe de religião. Abrange a todos, indistintamente, e se desdobra para campos que extrapolam a espiritualidade. É um novo pensar, sentir e agir em várias questões de ordem política, social, econômica existencial e espiritual. O espiritualista acredita no espírito, no espírito da Terra, do universo e no seu próprio. Entende que o corpo é espírito em uma forma possível de sobreviver à atmosfera do nosso planeta. E que não precisamos morrer para irmos pro céu, já estamos no céu e voamos entre as nuvens e estrelas. Apenas o nosso pé toca sobre a superfície da terra, que nos ampara. Mas voamos, mesmo que sem asas, simplesmente porque estamos sobre algo que voa.

Como vivemos, o que comemos, o que nos ensinam, o que precisamos saber, como ampliamos nossa consciência, o nosso amor, são algumas das buscas que o espiritualista empreende através da meditação, da ciência, da arte e de exercícios de vida que vão estimular aquilo que os ocidentais sempre empurraram pra debaixo do tapete – o autoconhecimento. E são esses mesmos espiritualistas que estão tentando rever a religião, não só do ponto de vista das igrejas, mas também do ponto de vista do buscador. Na verdade, enquanto a maior parte das igrejas buscam por um salvador, os espiritualistas não querem ser salvos por ninguém, apenas por si mesmos.

Religião vem da palavra grega religare, que quer dizer religar consigo mesmo. Se voltar para dentro e se conectar com o ser mais verdadeiro que existe dentro de nós. Essa é, ou deveria ser, a proposta primeira de toda e qualquer religião.

No entanto, a ideia original de religião sempre esteve ameaçada pelas instituições. Vemos que algumas instituições, marcadas pelo fanatismo e pela ignorância, afastam de si qualquer ameaça às suas crenças. A maior parte delas proclama o seu deus como o único e verdadeiro, sendo os outros deuses, de outras religiões, fruto das artimanhas do diabo.

Religião é, de qualquer forma, um estado de espírito. Uma comunhão que fazemos entre o nosso ser e o deus que habita cada partícula do universo, e que, por isso mesmo, está em nós. Veja, esse modo de explicar a religião abrange, na verdade, quase todas as religiões, excluindo apenas aquelas que não têm por base o amor universal e a expansão do ser. A verdadeira religião é individual. Ou seja, cada um trilhará o seu caminho em direção a Deus, do seu modo particular. O que é melhor pra um, nem sempre será bom pra outro.

Para ilustrar a nossa matéria, vamos nos deleitar um pouco com um conto xamânico peruano, escrito por um anônimo. Este conto encontrei há muitos anos no site “Lobo do Cerrado”,mas não tinha o nome do autor. Certamente, é um conto popular, extraído da tradição xamânica do Peru. Se alguém conhecer o autor, gostaria de saber quem é, inclusive para lhe dar o crédito.

Como vocês sabem, os xamãs são indígenas, seres de sabedoria, eleitos pelo seu povo, para conduzir espiritualmente a tribo.

Conta-se que vivia nos Andes uma condor fêmea, que estava chocando onze ovos. Começaram os ovos a se tornar sementes, depois seres, trazendo consigo o aprendizado de muitas gerações. Num certo momento os ovos começaram a ter um contato telepático entre si. E passaram a conversar. Falavam sobre suas fantasias, sobre a “realidade” que acreditavam viver. Mas, com o passar do tempo os ovos notaram um estado de limitação, de opressão que aumentava dia-a-dia entre eles. Sentiam um certo desconforto e parecia que o desconforto aumentava com o passar do tempo.
Algo os limitava, algo os prendia, mas não sabiam o quê.
Não percebiam que estavam se desenvolvendo, e que era natural que a casca desse essa impressão de prisão. Então um entre eles resolveu ser o messias, o que sabia da realidade final das coisas.
- Irmãos, – pregava ele -, tive uma revelação. Descobri a causa de nosso desconforto, de nossa crescente ansiedade.
Todos fizeram silêncio! Aquilo era importante.
- É o vitelo, irmãos (o alimento que o pássaro vai comendo enquanto está no ovo), que aumenta nossa tristeza, nossa sensação de desconforto. Sentimos desconforto porque estamos nos tornando mais materiais, mais pesados, temos que nos espiritualizar, irmãos, pois só assim vamos reencontrar a felicidade e a leveza perdidas.
A “revelação” do pregador parecia ter total sentido.
Aí criaram o movimento fundamentalista :
“Só comemos vitelo suficiente para não morrer” .
A nova moda era espiritualizar-se para recuperar o estado anterior.
Como o crescimento acabou ficando mais lento, pela falta do vitelo, passaram a acreditar que o pregador conhecia a sublime verdade:
- Alimentar-se é pecado!
- Ficar mais denso é pecado
Crendo nisso viveram por um tempo numa languidez, numa indolência, numa desnutrida existência, onde a pasmaceira era tida por paz. Mas um dos ovos, sempre tem esse um, revoltou-se contra aquilo.
- Ora, pensava, se sempre me alimentei por que vou deixar de fazer isso agora, me sinto fraco, frágil… – e voltou a comer .
E comendo se sentiu oprimido, limitado, mas não se angustiou por isso e descobriu que sentir os limites de sua condição não era necessariamente associado à depressão.
Logicamente, foi expulso da comunidade. Sabemos que ovos não conhecem cores, mas se conhecessem teriam dito que ele era um mago negro! Se tivessem listas de debates iam debater se magia negra é aquela que manda comer o vitelo e magia branca é a que, em beneficio da espiritualização, manda deixar de comer.
O fato é que ele continuou a se desenvolver enquanto os outros não.
E lá iam todos pregar pro rebelde, mudar o diferente, o perigoso, o que com seus atos negava o senso comum.
Precisavam convertê-lo, salvar sua alma.
O rebelde foi perdendo a paciência com aquela conversa lamurienta, pois ficavam repetindo a mesma frase alegando ter sido revelada pelo grande “Ovo”.
Não era um diálogo, era um monólogo repetitivo de frases decoradas.
O rebelde, num movimento brusco, com sua parte mais densa (o bico) quebrou a casca do ovo.
E instantaneamente desapareceu.O pregador, aproveitador, como todo bom pregador, já foi pregando:
- Estão vendo o que acontece a quem desobedece os sagrados mandamentos? Vamos rezar ao grande Ovo, irmãos, pela alma desse pecador que se perdeu.
Para eles, o rebelde havia morrido.
Mas para o mundo aqui fora, para a condor mãe, o primeiro dos ovos vingara e ele nascera. Tudo era novo.
A principio, ele sentiu terror, depois êxtase. E quando contemplou aqueles olhos enormes, aquele ser poderoso, teve medo. Seria o diabo a castigá-lo? Seria Deus a puni-lo por ter contrariado o pregador e se alimentado?
Mas era só a sua mãe.E ele conheceu o amor.
O azul do céu, o sol, os picos nevados, a mãe condor que agora lhe dava alimento. Noite, estrelas, lua, estava extasiado.
Então se lembrou!
Seus irmãos e suas irmãs naquele estado limitado dentro dos ovos, crendo no pregador.
Agora ele sabia que era parte do crescimento sentir desconforto, sentir limites.
Fugir disso era fugir de sair do ovo. De vir para este mundo real e lindo.
Contou a sua mãe que queria encontrar um meio de falar com seus irmãos e explicar o que ele descobrira.
Ela riu.
- Mesmo que pudesse meu filho, como falaria de céu? De vento?
Como falaria das montanhas? Quer mesmo ajudar, então te aninha junto aos ovos e transmite teu calor, assim eles chocarão mais rápido.
Então lentamente, um a um, os ovos foram sendo chocados.
Ao final de algum tempo todos nasceram, quer dizer quase todos.
O pregador não nasceu, espiritualizou-se tanto, que gorou…

Eliane Ganem

Menopausa


Um dos assuntos mais controversos sobre a saúde da mulher, é a Menopausa. Os sintomas, quando não são devastadores, envolvem pelo menos sensações subjetivas que colocam a mulher diante de si mesma em total desamparo.

A maior parte dos sintomas desagradáveis que elas sentem, a partir dos 45 anos, sejam eles quais forem, estão relacionados com a Menopausa. Os médicos subestimam esse momento em que os hormônios, no período da pré-menopausa, enlouquecem, para logo em seguida desaparecerem de forma definitiva do corpo sadio de uma mulher ainda com todas as funções corporais ativas. Isso provoca, além do mal estar que todos já sabemos – os fogachos, as irritações, os colapsos emocionais, a rejeição ao parceiro, etc. – um descompasso entre um corpo sadio e a interrupção brusca de uma boa parte desse elemento essencial da vida que são os hormônios.

A natureza, voltada principalmente para a sobrevivência da espécie, falando a grosso modo, sinaliza que uma mulher ao entrar na menopausa perdeu a sua função primordial, que é a concepção. Então a decadência pode ser vertiginosa se não houver um preparo para esse novo momento. Preparo esse amparado por novas atitudes que deverão ser adotadas na manutenção de um corpo sadio e vigoroso nesta outra metade da vida.

Nas experiências que tive comigo e com mulheres que procuraram apoio, posso dizer que em uma boa parte delas a Menopausa foi devastadora. Os prejuízos, no entanto, poderiam ter sido minimizados se já houvesse um entendimento a respeito do assunto, não só no seio da família mas também na comunidade médica. A maior parte das mulheres, e é claro que existem aquelas que passam ao largo de qualquer dos relatos que faço aqui, percebem que o seu corpo entra em colapso. Gastrites, sinusites, problemas no útero, ovário, vesícula, artrites, artroses, obesidade, problemas intestinais e até mesmo câncer podem de repente aparecer nesse corpo anteriormente sadio, mas que entrou em rápida transformação. O metabolismo fica alterado, a libido desaparece, o estado emocional entra em crise, o corpo começa a exigir uma atenção exagerada, problemas ficam exacerbados. Há uma distorção da realidade nesse período, pois além do físico, o mental e o emocional também se reorganizam.

O que eu digo aqui tem a intenção única de alertar. Muitas mulheres passam por todo esse desconforto mas não conseguem perceber que não são enfermidades isoladas, mas apenas o estado de carência  generalizada  ao  entrar  na  menopausa.  É

necessária uma preparação para esse momento, principalmente numa sociedade voltada para a exploração máxima. Sabemos hoje em dia que a mulher moderna, casada ou não, mas com filhos, tem uma jornada de trabalho de mais ou menos dezoito horas, comparável aos lumpemproletariados na época da revolução industrial.

Além disso, os recursos de uma medicina compartimentada, em que o corpo não é visto como um todo, tratarão apenas de forma muito localizada os problemas que aparecerão nesse período. Uma enorme quantidade de seios, úteros, ovários, serão arrancados, quando nem sempre isso é necessário, se houvesse a preocupação com o corpo como um todo e com o momento pelo qual este corpo está passando. E também uma enorme quantidade de especialistas serão ativados, alergistas, otorrinos, ortopedistas, etc. todos muito bem intencionados dentro de uma visão de mundo estreita e agressiva. Uma enorme quantidade de medicamentos serão indicados, uma enorme quantidade de dinheiro será desperdiçado para pagamento da indústria da doença. E a saúde, essa coisa cada dia mais longínqua, ficará a cargo daqueles que procurarão alternativas menos violentas e que cuidam do corpo doente como um todo em direção da promoção da saúde. Aí entram os terapeutas holísticos, os homeopatas, os fitoterapeutas, os acupunturistas, os centros espirituais de cura, etc. A maior parte realizando verdadeiros milagres que a medicina moderna – perdida em suas especializações – não consegue resolver.

É óbvio que um bom médico alopata, aquele que trata seu paciente com respeito, que utiliza a pesquisa como suporte, que se atualiza diariamente para atender às novas demandas, que não é preconceituoso e suficientemente humilde diante da vida, capaz de perceber que cada corpo é um corpo distinto com suas verdades e com o seu próprio poder de cura, é de valor inestimável para todos. Mas esse médico em extinção, pelo menos no Brasil atual, é difícil de encontrar, principalmente porque os Planos de Saúde nivelam seus profissionais por baixo. Na verdade, os bons profissionais podem ainda ser encontrados nas universidades ligadas aos governos federal ou estadual, já que estes são os últimos redutos da inteligência brasileira, voltadas para a pesquisa séria e comprometida com o bem estar social.

Portanto, mulheres, se cuidem, sabendo que as doenças e os desconfortos desse período têm um motivo passageiro. O importante é ter em mente a saúde e a alegria de iniciar um novo percurso em sua vida, mais maduro, mais tranquilo e, certamente, saudável. Para isso, uma preparação teria que incluir pelo menos a diminuição na jornada de trabalho, uma terapia de reposição hormonal com hormônios naturais, exercícios físicos apropriados – natação e dança são os melhores – e um apoio psicológico para os revezes emocionais que fazem parte desse processo.
Eliane Ganem

Arte – Ciência – Espiritualidade Como forma de Autoconhecimento

O olhar do século 21, apesar de estarmos apenas há poucos anos de distância do século anterior, nos permite fazer uma reflexão sobre o nosso conceito atual de arte e como precisamos nos desfazer desse “olhar” comprometido com as ciências sociais do século marxista que acabamos de deixar para trás. Inauguramos talvez uma nova percepção de mundo, uma nova ética, uma nova experiência mística do ser em busca de si mesmo, abandonando não a ciência, mas a resistência que nos impomos diante de ideais europeus, que importamos.A meu ver, a discussão marxista do século XX a respeito de arte não nos serve mais. Hoje sabemos que fazemos arte porque somos seres criativos e que a divisão entre arte burguesa e arte popular não nos ajuda mais. Sabemos que escrevemos porque escrevemos, dançamos porque dançamos, pintamos porque pintamos, vivemos porque vivemos. Não há mais nenhuma divisão naqueles que criam. E isso é sintoma da nossa pós-modernidade e de uma nova consciência.

Na verdade, até o século passado importamos da Europa a nossa arte. No teatro, por exemplo, Brecht mudou toda a concepção teatral, a dramaturgia, a forma de interação público-plateia, criando um teatro novo e revolucionário. O teatro da consciência revelou que a arte tinha um papel de transformação social que extrapolava o conceito de fruição estética da arte burguesa. No Brasil, tivemos textos de Oswald de Andrade – com o seu famoso Rei da Vela – eclodindo num teatro de vanguarda associado a uma luta de classes, contra a elite burguesa e a ditadura militar, que estranhamente, ao invés de proteger a burguesia – como seria de se esperar – na verdade perseguiu os seus filhos, torturando-os e, muitas vezes, eliminando-os ao longo de mais de duas décadas.

Enfim, herdamos literalmente as ideias revolucionárias da juventude europeia – da revolução russa até as duas grandes guerras mundiais – recebendo em nosso território um grande contingente de intelectuais jovens, que fugiram de seus países. Atores, diretores de teatro, que por aqui aportaram, trouxeram não só as ideias revolucionárias marxistas, mas também trouxeram a si mesmos, sua visão de mundo, sua resistência, seus ideais.

A ciência também está modificando seus paradigmas anteriormente intocáveis. Por exemplo, a consciência como um dos fatores presentes no processo de conhecimento está sendo considerada como parte do processo. Ampliando assim a sua importância também no processo do autoconhecimento. Na verdade, a consciência do pesquisador pode interferir no resultado de sua pesquisa dependendo do sistema de crenças pelo qual esse pesquisador foi treinado.

Apesar de Cassirer, uma das mais importantes vozes do pós-modernismo, em seu livro a “Antropologia Filosófica”, dizer que “a ciência é o último passo no desenvolvimento espiritual do homem e pode ser considerada como a mais alta e mais característica conquista da cultura humana.”, acredito que a ciência só pode ser entendida assim se houver por parte de seus seguidores a postura humilde do autoconhecimento.

Enfim, chamo a atenção para o fato de que no século passado importamos o nosso saber, a nossa imaginação, a nossa compreensão, a nossa ciência, a  nossa política, a ética, a moral, os homens sisudos

dos países frios, as roupas, as divindades, as religiões, a literatura, a poesia, a pintura,os clássicos, os filmes, o teatro, a dança, o inconformismo dos povos europeus e chamamos tudo isso de nosso por um bom tempo. E esperamos que esse nosso, como cobra criada, deite o seu olhar superior e reconheça o outro lado, aquele que passamos o mesmo longo tempo escondendo, quem sabe para podermos depois inventar aquilo que chamamos de resistência, criando assim o nosso próprio inimigo, lutando contra moinhos de vento que jamais existiram.

Como diz o meu mestre Osho, mais abaixo, estamos inaugurando talvez uma nova sociedade. Para quem não sabe, o mestre Osho é um ser iluminado, que no século passado trouxe uma contribuição preciosa para o Ocidente. Mesmo correndo o risco de termos mais uma vez importado esse conhecimento distante de nós, o que nos interessa aqui é o autoconhecimento, que pode vir associado à arte, à ciência, à espiritualidade e aos homens comuns porque se trata de uma compreensão interior dentro de cada um de nós. Na verdade, ao abandonar todo esse conhecimento que não é nosso e nos dirigirmos para o nosso auto-conhecimento, certamente poderemos resgatar aquilo que sempre colocamos para debaixo do tapete como se fosse a nossa sujeira, esse jeito nosso muito próprio de fazer arte e ciência.

No livro Philosophia Perennis – Vol. 2, Capítulo 2: Zorba, o Buda, Osho diz: “ …Esta é uma crise muito grande. Se tomarmos o desafio, esta é uma oportunidade para criar o novo….. vocês estão vivendo em uma das mais belas eras – porque o velho está desaparecendo..e um caos é criado. E é só a partir do caos que grandes estrelas nascem. Vocês têm a oportunidade de criar um novo Cosmos. Esta é uma oportunidade que só acontece de vez em quando – muito rara. Vocês têm sorte de estarem vivos nestes momentos críticos. Usem a oportunidade de criar o novo homem. E para criar o novo homem, vocês têm que começar consigo mesmos. O novo homem será um místico, um poeta, um cientista – todos juntos. Ele não vai olhar a vida através de divisões podres. Ele será um místico, porque ele vai sentir a presença de Deus. Ele vai ser um poeta, porque ele vai comemorar a presença de Deus. E ele vai ser um cientista, porque ele irá procurar essa presença através de metodologia científica.

Quando um homem é todos os três juntos, ele é um todo. Esse é o meu conceito de um homem santo. O velho homem era repressivo, agressivo. O velho estava fadado a ser agressivo, porque a repressão sempre traz a agressão. O novo homem será espontâneo, criativo. O velho homem viveu ideologias; o novo homem não viverá através de ideologias, não viverá através de moralidades, mas através da consciência…O novo homem será responsável – responsável por si mesmo e pela existência. O novo homem não será moral, no velho sentido, ele será amoral. O novo homem traz um mundo novo com ele. Agora o novo homem é obrigado a ser uma minoria mutante – mas ele é o portador de uma nova cultura, a semente. Ajude-o! Anuncie sua chegada sobre os telhados: essa é a minha mensagem para você.

O novo homem é aberto e honesto. Ele é transparente, verdadeiro, autêntico e autorrevelado. Ele não será um hipócrita. Ele não vai viver através de metas, ele vai viver aqui e agora. Ele conhecerá apenas um tempo, o agora, e só um espaço, o aqui. E através dessa presença, ele saberá o que é Deus. Alegrem-se! O novo homem está chegando, o velho está indo. O velho já está na cruz e o novo já está no horizonte. Alegrem-se! Eu digo de novo e de novo,
Alegrem-se!

Eliane Ganem

Editorial

A recente vontade de ampliar este site nas áreas em que dediquei muitos anos da minha vida, acabou por criar mais dois espaços: Quarta Capa,  voltado para professores, pais e demais profissionais da literatura para crianças e jovens. E um Manual de Sobrevivência para Tempos Difíceis, espaço destinado a abordar assuntos relacionados com o Ser e que inclui questões como Desenvolvimento Pessoal, Ampliação da Consciência e Autoconhecimento.

Este espaço tem a intenção de trazer para os meus leitores a interseção salutar com aquilo com o que tenho trabalhado no correr dos anos e que tem ajudado algumas pessoas ao redor do mundo. Falo interseção porque a gama extensa de novas ideias, conceitos,    experiências,    deduções,   me    fizeram

trabalhar na junção de alguns componentes que extraí de cada experimentação.
Por isso aqui vocês vão encontrar um pouco de mim e um pouco de cada pessoa e de cada sistema com o qual me deparei e dos quais retirei muita coisa que aproveito para aqueles que me procuram.
Portanto, aqui vocês encontrarão um pouco de Eneagrama, de Comunicação Transpessoal, de Meditação, de Tarot, de Florais, de Cura com as Mãos, de Projeciologia, de Arte, de Ciência, dos Mestres e Avatares e daquilo que chamamos de Espiritualidade.

Tudo o que será abordado e discutido nesse espaço não é resultado de uma verdade absoluta, mas a possibilidade de investigar algo que em geral não se investiga – o Ser. Por isso, convido a todos que se interessarem por estes assuntos que fiquem antenados. Lembro que pessoas convidadas para entrevistas ou para escreverem artigos emitem opiniões exclusivamente delas, e que este é um espaço democrático onde a diversidade é bem-vinda.
 
Eliane Ganem